jueves, 27 de diciembre de 2018

"Meu cais"





Somos navegantes,
Do infortúnio e outros mares,
Já antes navegados,
Somos navegadores,
Da tristeza,
E do cansaço,
Da espera.

Navegantes somos
E à deriva vamos
Neste mar de incertezas,
Do viver
E de outros naufrágios
Da nossa glória perdida,
Da glória nunca ganha.

Lá, no fundo, imagino-te,
Tranquila, sossegada, inerte
Com a calma e a paz de quem espera o regresso,
Meu cais paciente.

O teu belo riso,
Estrela do Norte,
Fim do desalento,
Motivo antigo.

Os teus braços e o teu peito,
Minha pátria amada,
Meu lar,
O regresso à calma perdida.
A Penélope tece a vida,
Enquanto o cansaço estende esta pena de viver longe. 

Penso em ti,
Vejo os teus olhos,
No brillho doutros barcos,
Eles trazem boas novas
De uma terra que achávamos perdida.

No canto das sereias
Posso ouvir a tua voz.
Calas o meu nome,
Mas cada onda lembra-te de mim,
Cada onda traz o teu perfume,
Cada onda bate o teu nome
Como estrondo gasto,
Como estrondo vazío,
Das mémorias e das glórias passadas.

É uma viagem de desalento
Não sei o que faria
Se regressasse a ti,

Cais amado,
Figura de mulher
Que me enleva
Guia-me ao Inferno dos teus beijos.

Chega o brilho,
Ó, Mensagem maravilhosa,
Deixa-me ficar nas trevas
Deixem nas trevas quem nas trevas nasceu.
Nem a luz da espada,
Nem a morte na Cruz,
Podem separar-me de ti,

Meu cais.