Somos navegantes,
Do infortúnio e outros mares,
Já antes navegados,
Somos navegadores,
Da tristeza,
E do cansaço,
Da espera.
Navegantes somos
E à deriva vamos
Do viver
E de outros naufrágios
Da nossa glória perdida,
Da glória nunca ganha.
Lá, no fundo, imagino-te,
Tranquila, sossegada, inerte
Com a calma e a paz de quem espera o regresso,
Meu cais paciente.
O teu belo riso,
Estrela do Norte,
Fim do desalento,
Motivo antigo.
Os teus braços e
o teu peito,
Minha pátria
amada,
Meu lar,
O regresso à
calma perdida.
A Penélope tece a vida,
Enquanto o cansaço estende
esta pena de viver longe.
Penso em ti,
Vejo os teus olhos,
No brillho doutros barcos,
Eles trazem boas novas
De uma terra que achávamos perdida.
No canto das sereias
Posso ouvir a tua voz.
Calas o meu nome,
Mas cada onda lembra-te de mim,
Cada onda traz o teu perfume,
Cada onda bate o teu nome
Como estrondo gasto,
Como estrondo vazío,
Das mémorias e das glórias passadas.
É uma viagem de desalento
Não sei o que
faria
Se regressasse a
ti,
Cais amado,
Figura de mulherQue me enleva
Guia-me ao Inferno dos teus beijos.
Chega o brilho,
Ó, Mensagem maravilhosa,
Deixa-me ficar nas trevas
Deixem nas trevas quem nas trevas nasceu.
Nem a luz da espada,
Nem a morte na Cruz,
Podem separar-me de ti,
Meu cais.

Gostei muito, com toda a sinceridade. Abraco. Rainer Sousa
ResponderEliminarAmei
ResponderEliminar