domingo, 16 de febrero de 2020

Além do Bojador


Que me ensine de saudades aquele que nunca viu a luz sair,
Que me ensine de saudades aquele que atravessou o mar,
E nunca regressou ao berço,
Aos braços.
Que me ensine de tristeza aquele que calou e nunca disse,
 Aquele que nunca soube de um beijo,
Aquele que não sentiu a crescente morte se aproximar,
A respiração inerte e desnecessária.

Que me ensine de alegria aquele que nunca sofreu,
Há realmente forma de andar nesta viagem sem sofrer?
Há forma de regressar ao cais sem ter passado além da dor,
O Cabo Bojador que os meus olhos enxergam.

Que me fale de vida quem já sentiu a morte passar,
Que me fale de vida que já sentiu o peso de respirar,
Quem já deixou de tentar,
Que me fale de vida que já ao mar foi afundar.



No hay comentarios:

Publicar un comentario